Colossenses: AULA 12– Cap. 3.18 - 4,1

18 Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor.

Submissão? Uma questão cultural? Ou uma questão teológica? Em Paulo, pelo menos segundo sua concepção e entendimento, a razão parece ser teológica, pois diz “como convém no Senhor”. Por mais impopular que seja dizer isso hoje em dia, no pensamento de Paulo há um aspecto hierárquico na família, qual seja, de que Cristo é o cabeça do homem, este o cabeça da mulher, e os filhos devem obediência.

Temos muitos exemplos ruins de autoridade ao nosso redor, mesmo entre aqueles que se dizem seguidores do Senhor. O que precisa sempre ficar claro é que, nas Escrituras Sagradas, toda autoridade tem seu fundamento no serviço e no bem daquele que deve obediência, como foi no próprio exemplo do Senhor. Quem exerce autoridade deve viver para a felicidade daqueles que estão sob autoridade (tudo isso, sempre no Senhor).

Submissão não significa inferioridade, nem mesmo submissão absoluta, pois é submissão NO SENHOR, não fora d’Ele.

19 Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura.

Embora o mandamento do Senhor seja o de amor recíproco, no versículo anterior não foi dito para mulher amar o seu esposo (embora isso esteja implícito inclusive no próprio mandamento de não adulterar). Isso pode ser uma forma de demonstrar que o amor do homem pela sua esposa tem que ser muito mais ativo. O homem não deve trata-la com amargura, rispidez.

20 Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor.

Paulo sempre se volta primeiro para as pessoas que deveriam se submeter. Primeiro fala às esposas, depois aos filhos. Todos estes, entes que pela cultura de modo geral já eram obedientes. Mas Paulo se volta primeiro para estes por pelo menos dois motivos: no reino, a ideia é que a submissão seja voluntária. Em segundo lugar, pode-se muito bem obedecer apenas exteriormente, porém com coração amargurado e espírito de revolta. Mas só há realmente valor se a submissão for “no Senhor”, com espírito verdadeiro.

Filhos devem obediência natural aos pais, pois destes veio sua vida, provisão. São os pais que possuem maior experiência também. Obediência aos VOSSOS pais pressupõe uma harmonia entre os pais na educação dos filhos.

21 Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.

Sempre há uma contrapartida em Paulo. Sempre há deveres recíprocos. O governo dos pais sobre a vida dos filhos tem que ser com a máxima justiça, sem autocracia, autoritarismo, desmandos, humilhações, para que não gere desânimo, frustração, nem sombria resignação no coração deles.

22 Servos, obedecei em tudo ao vosso senhor segundo a carne, não servindo apenas sob vigilância, visando tão-somente agradar homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor.

Não há nada nas Escrituras que digam que a escravidão foi determinada por Deus (como por exemplo, o casamento, a geração de filhos, as autoridades, a igreja), mas ainda assim, Paulo não bate de frente com tal instituto. Com exceção daqueles que não concordam com Paulo, a maioria dos comentaristas entende que o apóstolo deseja transformar as relações entre escravos e senhores de “dentro para fora”. Em Roma, nestes tempos, muito provavelmente um terço da população era composta de escravos.



23 Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens,

Tão forte é a admoestação de Paulo, que tal obediência tinha que ocorrer não somente por vigilância, mas direcionada ao próprio Senhor. Fazer do próprio trabalho uma oferenda a Jesus, e com o coração singelo.

24 cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo;

Paulo sustenta que este trabalho não será em vão, mesmo feito a um senhor humano, em meio à escravidão. Haverá recompensa, pois tudo é feito ao Senhor. Ou seja, o trabalho “profissional” cotidiano é uma forma de obrar para o Senhor. Infelizmente muitos escravagistas abusaram de tais premissas.

25 pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas.

Essa afirmação, muitos dizem, já vai introduzindo o que vem a seguir, qual seja, o dever do senhor ser justo.


 1 Senhores, tratai os servos com justiça e com equidade, certos de que também vós tendes Senhor no céu.


Conforme já mencionado anteriormente, Paulo sempre se volta primeiramente àqueles que já eram culturalmente submissos, mas a grande novidade, é a contrapartida que Paulo exige daqueles que exercem autoridade (maridos devem amar suas esposas, pais não devem irritar seus filhos, senhores devem tratar os escravos com justiça e equidade). No mundo antigo, quem exercia autoridade não necessitava dar contrapartida necessariamente.

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