AULA 10– Cap. 3.1-11: Busquem as coisas do alto e façam morrer a vossa natureza carnal

1 Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus.

É como se Paulo dissesse: “se vocês foram mesmo ressuscitados com Cristo”, ou seja, se é mesmo verdade que vocês agora são do Senhor. Denota uma ênfase prática a partir daqui. Os cristãos já são ressuscitados em Cristo, pois estavam mortos, mas agora nasceram de novo.

Buscar as coisas lá do alto. Que coisas? É talvez uma forma de dizer que devemos viver conforme os valores de Deus. Passamos a reconhecer que nosso foco não é mais o que é terreno, mas sim o que é celestial. Buscar tem a ver com esforço imenso.

Cristo assentado à direita de Deus: o próprio Jesus ressuscitou, ascendeu e exerce autoridade, ao lado de Deus Pai. Saber que Jesus está ao lado do Pai é fonte de grande consolo para os cristãos, pois mesmo em meio a todas as lutas, sabemos que a vitória será certa.

2 Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra;

Paulo havia dito para “buscar” as coisas do alto; agora diz também para “pensar” nas coisas do alto. Ou seja, só podemos buscar algo relativo àquilo que estivermos pensando.

3 porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.

Se ressuscitamos, significa que também já morremos. O nosso velho homem morreu, e agora vive o novo, renascido em Cristo. É afirmado como uma realidade. Paulo em seus escritos sempre dá grande ênfase à conversão, transformação da pessoa.

Ter a vida oculta significa tremenda segurança em Cristo, fonte de toda a nossa vida, vida essa que já foi revelada, mas não ainda totalmente. É uma vida “conectada” com Cristo e em Deus.

4 Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.

Cristo se manifestará na sua segunda vinda, e nós seremos manifestos com ele. Parece haver uma ênfase em um tipo de manifestação pública. Cristo se manifestará em seu poder e sua glória. Ficará manifesto a todos que os crentes pertencem a Jesus, embora isso possa estar, em algum sentido, oculto. Nossa manifestação em glória também tem a ver com sermos imediatamente  transformados na manifestação do Senhor.

5 Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria;

É um paradoxo, pois, se já morremos, porque precisamos “fazer morrer”. É como se Paulo dissesse: mate aquilo que morto já está. É o que talvez alguns chamem de o “já” e o “ainda não” que caracteriza um pouco da nossa existência. No que se refere à nossa justificação, nós já morremos em Cristo. Já fomos mortos e ressuscitados em Cristo, e portanto, não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus. Mas no que se concerne à santificação, esta é progressiva, vivida e conquistada no dia a dia. Por isso, precisamos fazer morrer, a cada dia, a nossa natureza terrena. A busca constante da santificação aponta para a nossa justificação. Fazer morrer quer dizer “exterminar”, algo feito com profunda radicalidade.

Prostituição, impureza, paixão lasciva e desejo maligno estão ligadas às perversões de caráter sexual, tão comum no mundo gentílico de então. Avareza, ao que parece, ligado ao excessivo apego às coisas materiais, mas há quem argumente que seja ainda algo de natureza sexual, ou ligado a extrema autossatisfação, o que denota idolatria do próprio ego.


6 por estas coisas é que vem a ira de Deus [sobre os filhos da desobediência].

A pratica dessas coisas mencionadas é como um imã que atrai a ira de Deus, ou seja, sua justa desaprovação a tais atos.

7 Ora, nessas mesmas coisas andastes vós também, noutro tempo, quando vivíeis nelas.

São coisas que pertenciam ao passado de alguns. “Andar” tem a ver com o comportamento. “Viver” tem a ver com disposição.

8 Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar.

Agora são mencionadas uma série de explosões emocionais que devem ser evitadas, algo que começa no interior “ira” e vai se manifestando em atos. “Despojar” é uma linguagem figurativa, que denota algo como tirar uma roupa velha.

9 Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos

A mentira e um mundo de aparências rodeava o mundo gentílico, como de fato, parece ocorrer até nos dias atuais. Isso tudo são ações do velho homem.

10 e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;

No momento da nossa regeneração, nós nos revestimos do novo homem. E esse se refaz (ideia de progresso) para o pleno conhecimento. Crescer nessa graça é, portanto, crescer em conhecimento, “segundo a imagem daquele que o criou”, ou seja, segundo a imagem de Deus. Esse é o progresso no qual nos encontramos. E isso está acima de qualquer outro conhecimento exotérico que alguém possa alegar possuir. É conhecimento intelectual e relacional.

11 no qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos.


No evangelho não pode haver nenhuma classificação quanto á etnia, religião, cultura, e social. Cristo veio para destruir todas essas barreiras, ainda que persistam na sociedade. A graça é uma ponte que une tudo isso.

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