AULA 2 – Colossenses 1.9-14 – As orações em favor dos colossenses


“Por esta razão” (vers. 9): que razão? Qual fato? Pelo fato de Paulo e Timóteo terem ouvido da fé dos colossenses em Cristo Jesus e do amor que eles tinham para com todos os santos (vers. 4), entre outras coisas. Ou seja, tudo o quanto Paulo anteriormente tinha listado como motivo de agradecimento pela vida dos colossenses.

“Desde o dia que ouvimos” (vers. 9): ou seja, uma demonstração clara de que era uma igreja que eles não conheciam pessoalmente, mas que ouviram falar. Isso mostra que quando uma notícia chega aos nossos ouvidos acerca de irmãos na fé temos que orar.

“Não cessamos de orar por vós” (vers. 9): remete a uma atividade contínua, constante de oração pela vida dos colossenses. Esse era o costume constante de Paulo (Rm 1.9; Efésios 1.16; Filipenses 1.4; 1 Tessalonicenses 1.2; 2 Tessalonicenses 1.11). Paulo orava por todas as igrejas! Assim também a nossa rotina de oração pelas igrejas, pela vida dos irmãos, tem que ser constante.

Muitas vezes começamos com uma rotina de oração, mas não damos continuidade. Não deve ser assim. A oração tem que ser constante, e há quem diga que é a atividade mais importante da vida de um cristão.

E quais eram os motivos da oração de Paulo para com os colossenses? Quais os motivos de oração que o apóstolo julgava que era importante fazer pelos seus leitores?

1 - Que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual (vers. 9): Paulo não ora para que eles tenham um breve, superficial, ralo conhecimento da vontade de Deus. Ele pede para que eles tenham um conhecimento transbordante, muito maior do que qualquer falso mestre gnóstico poderia oferecer.

Conhecimento (“epignōsis”) = conhecimento que tem conexão com a obediência prática – está em contado direito com a vontade de Deus. A vontade de Deus: como deve ser o viver prático dia a dia. Aparentemente então Paulo deseja que os cristãos transbordem do conhecimento prático da vontade do Senhor, e não um entendimento oculto, misterioso, como queriam fazer valer os mestres gnósticos.

Sabedoria (“sophia”) e entendimento (“sunesis”) espiritual (“pneumático”): sabedoria e entendimento também estão ligados às situações concretas na vida. É saber aplicar na prática todo o conhecimento adquirido.

2 - A fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado (vers. 10): confirmamos aqui então que o conhecimento, a sabedoria e o entendimento é voltando não para uma especulação filosófica, mas sim para um fim prático, qual seja, o de viver de modo digno do Senhor para seu inteiro agrado. Não se trata de um agrado parcial, de satisfazer o Senhor em determinadas coisas e não em outras. É para agradar totalmente.

3 – Frutificando em toda a boa obra (vers. 10): tem a ver com um caráter frutífero rumo a um amadurecimento espiritual. Tem a ver também com o testemunho comunitário que aquela comunidade vai realizando em sua localidade, por meio do evangelismo. E tem a ver também com as boas obras, obras de misericórdia que são realizadas ela comunidade. Todas elas são fruto do conhecimento da vontade do Senhor. De qualquer modo, no texto presente, parece que a ênfase é dada no primeiro aspecto, conforme veremos a seguir.

4 – E crescendo no pleno conhecimento de Deus (vers. 10): aqui, não se trata somente do conhecimento de sua vontade, mas no conhecimento da pessoa do próprio Deus, que se dá por intermédio de uma comunhão espiritual, não somente teórica. A ideia é que se pode crescer nisso a cada dia também. Diferente da falsa “gnósis”, que é um conhecimento especulativo, aqui se trata de um conhecimento relacional. O conhecimento de Deus é vital para a vida eterna (João 17.3).

E quais serão os resultados do cumprimento dessas orações na vida dos colossenses?

1 – Fortalecimento: “sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória” (vers. 11): Paulo sabe que essa vida que deseja que seus leitores vivam só pode ser vivida pelo poder de Deus, daí a necessidade das constantes orações. Não é uma vida que pode ser vivida somente pela carne, pelo esforço humano. Essa fonte é inesgotável, pois é segundo a força da sua glória.

2 – Caráter fiel: “em toda a perseverança e longanimidade” (vers. 11): essas virtudes demonstram que o frutificar mencionado anteriormente tem a ver com o crescimento pessoal do indivíduo. Notamos a maturidade de alguém mediante essas duas virtudes combinadas (entre outras). Perseverança é se manter constate em seus propósitos, mesmo em meio às dificuldades referentes aos fatos, situações, coisas. Longanimidade (longo ânimo, uma paciência “espichada” é o que possibilita aquela perseverança). Tem a ver principalmente com o suportar pessoas difíceis durante a jornada.

3 – Alegria interior: “com alegria” (vers. 12): essa vida de poder, de perseverança, de longanimidade não é para produzir santos carrancudos. Tudo isso deve gerar de fato a verdadeira alegria, que o mundo não pode fornecer nem tirar da vida do fiel. A alegria é fruto do Espírito.

4 – Gratidão: “dando graças ao Pai” (vers. 12): ou seja, uma vida de constante agradecimento. É um imperativo para que os colossenses tenham um coração grato. Mas dando graças pelo que?

Herança: “que vos (2ª pessoa do plural) fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz” (vers. 12): é um eco do antigo testamento, quando foi prometida uma herança à descendência de Abraão (Gn 13.4-17) que possuiriam e dividiriam a terra conquistada. Mas a nossa herança é muito maior, pois é a herança dos santos na luz.

Liberdade: “Ele nos (1ª pessoa do plural) libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (vers. 13): a mudança da segunda para a primeira pessoa do plural demonstra o modo como Paulo se sentia tocado pela mensagem que ele mesmo proclamava. Há aqui um movimento de libertação espiritual. Fomos removidos espiritualmente de um reino para outro, de um povo para outro. O império das trevas é onde reina a escuridão, a morte, a influência espiritual do diabo. O reino do Filho é um reino de luz, de amor.


Perdão: “No qual temos (1ª pessoa do plural) a redenção, a remissão dos pecados” (vers. 14): redenção é justamente esse resgate do reino das trevas. Remissão é o perdão dos pecados que obtivemos na cruz.