O chamado dos doze (Mc 3.13-19)

“Depois subiu ao monte e chamou os doze que ele mesmo quis” (Mc 1.13).

Jesus, pela sua própria vontade, chamou doze discípulos para ocuparem papel preponderante em seu ministério. O número de doze aponta certamente para as doze tribos de Israel, significando provavelmente que se está a criar agora um novo momento na história do povo de Deus, que não está mais restrita a um povo étnico, nem mesmo a um lugar geográfico específico. Que lições podemos depreender deste relato do evangelho de Marcos?

Em primeiro lugar, vemos que Jesus chamou “os que ele mesmo quis” (vers. 13). Isso demonstra a soberania do Senhor, em determinar dentre os seus quais realizariam determinadas funções. Esse chamado continua ocorrendo na vida de homens e mulheres, pela atuação da igreja, e pelo poder do Espírito.

O Senhor os chamou para “estarem com ele” (vers. 14), ou seja, em um processo de comunhão contínua, ele os ensinaria a fim de que um dia continuassem a obra que ele estava iniciando. Essa comunhão com o Senhor se dá hoje em comunidade, pois onde há dois ou mais reunidos em seu nome, ali ele está.

Jesus também os “enviou para pregar” e “exercer autoridade sobre os demônios, (vers. 14b-15), sendo que em outra passagem ele fala em “curar doentes” e “ressuscitar os mortos”. Ou seja, Jesus chama para si, a fim de treinar pessoas e lhes dá uma missão. Isso é um desafio para os líderes de hoje que devem chamar pessoas, treiná-las e enviá-las em missão.

O Senhor também coloca seus discípulos em comunidade, de gente diferente umas das outras. Alguns eram pescadores, como Pedro e André. Outros tinham um temperamento meio explosivo, como João e Tiago, os “filhos do trovão”. Pedro era cheio de altos e baixos, ora andando sobre as águas, ora afundando; ora confessando que Jesus é o Filho de Deus e sendo chamado de Rocha, ora, sendo chamado de Satanás por ter tentando desviar Jesus de seu caminho; ora dizendo que não vai trair o Mestre de modo algum, ora fugindo e traindo. Também tinha gente meio sumida, que quase não abria a boca, como Tiago, filho de Alfeu. Tinha um cobrador de impostos, como Mateus, um cooperador do império. Havia um zelote, revolucionário. Havia até um falho de caráter, ladrão e traidor. Enfim, é no meio desse povo diferente que somos chamados a viver e conviver.

Se um dia você se sentiu chamado pelo Senhor, pergunte-se o que está fazendo do seu ministério. Tem convivido com o povo do Senhor? Tem procurado estar com ele, pela comunhão com os irmãos, sendo instruído na Palavra? Ou não está disposto a lidar com quem é diferente de você, que pensa diferente de ti? Tem tido tempo devocional, de oração de portas fechadas? Tem procurado desenvolver o dom que um dia recebeu, buscando cumprir a sua missão? E você, líder? Tem chamado pessoas, andado com elas, treinando-as e enviando-as? Ou tem folgadamente esperando que as coisas simplesmente aconteçam, como que por um milagre? É daquele que aparece no meio do povo somente no domingo para pregar? Não ouve seus liderados? É orgulhoso? Não caminha com eles?

Enfim, que o exemplo de Jesus possa nos inspirar em nossa missão! 



Preparai um barco (Marcos 3.7-12)

Jesus e o barquinho

Houve uma ocasião em que Jesus foi pregar na praia e pediu para os seus discípulos sempre terem um barquinho à disposição, a fim de que ele não fosse comprimido pela multidão (Mc 3.9). Isso porque, pessoas vinham de todas as partes para serem curadas pelo Senhor.

Geralmente, sempre damos a atenção para os grandes ensinos e atos de Jesus, entretanto, mesmo nas menores coisas ele tem algo a nos ensinar.

Essa atitude em ter um barquinho à disposição nos ensina acerca da prudência do Senhor. Ora. Ainda não havia chegado a hora dele se sacrificar por nós. Para que então colocar em risco sua integridade física, bem como das demais pessoas? Dê uma lida depois em Provérbios 16.16.

Esse barquinho também nos dá uma lição de prioridade. Jesus não se negava a curar ninguém, nem mesmo a expulsar demônios. Entretanto, a sua prioridade era ensinar e pregar (Marcos 1.18). Subindo no barquinho, na beira da praia, ele poderia falar mais tranquilamente com a multidão que o ouvia.

Uma outra lição que aprendemos com essa ação de Jesus é acerca da versatilidade de seu ministério. Jesus já havia ensinado nas casas, nas ruas, nas sinagogas, e agora, ele estava fazendo da praia sua igreja e do barquinho o seu púlpito. Assim também todos nós devemos estar preparados para pregar em tempo e fora de tempo, e levar o evangelho de todas as formas possíveis e para todas as pessoas.

Finalmente, Jesus nos dá neste ato uma lição de criatividade! Ora, venhamos e convenhamos! Que criatividade a do Mestre, hein? A criatividade surge no momento em que temos um objetivo e um problema. No caso, Jesus tinha um objetivo: pregar. Mas tinha um problema: a multidão. É nesse momento que surge a CRIATIVIDADE, qual seja, a atividade me seu CRIAR algo novo para solucionar um problema em vistas a um objetivo. Jesus nos dá uma aula de criatividade!

Enfim, quantas lições aprendemos deste barquinho, hein?

Que assim seja em nossas vidas! Que possamos aprender do Mestre!

No amor de Jesus!

Pr. Carlos Seino


Cuidado com os julgamentos errôneos

Por Carlos Seino

Houve um momento na vida de Davi em que o reino estava se consolidando em suas mãos. Ele decidiu então trazer a arca do Senhor para a sua cidade, e organizou uma grande festa para tanto. Ele, vestido com uma estola sacerdotal de linho, dançava com todas as suas forças diante do Senhor (2Sam 6.14).

Entretanto, Mical, uma de suas esposas, o desprezou em seu coração (2Sam 6.16), e quando Davi entrou em sua casa para abençoa-la, sua esposa lhe disse palavras duras de julgamento: “Que bela figura fez o rei de Israel, descobrindo-se, hoje, aos olhos das servas de seus servos, como, sem pejo, se descobre um vadio qualquer” (2Sam 6.20).
A resposta de Davi foi no sentido tudo o que ele fez foi para o Senhor, e não para fazer algum tipo de demonstração para “as servas de seus servos”.

Às vezes, julgamos erroneamente as pessoas ao nosso redor, achando que eles estão fazendo algo motivados por uma intenção, quando na verdade não é nada daquilo. Davi não estava dançando para se exibir para as servas de seu reino, mas sim porque estava alegre diante do Senhor. Cometemos muitas vezes tal erro no início (ou mesmo durante muito tempo) do nosso casamento, causando mágoas e transtornos desnecessários.

Quando você sentir desejo de julgar alguém, lhe dizendo palavras duras, pense com mais calma. Respire, ore, deixe a raiva passar. E é bem possível que você esteja errado em sua avaliação. Mas depois que abrimos a boca, o estrago já está feito. Se Mical tivesse se segurado um pouquinho mais, a história poderia ter sido outra, pois Davi estava alegre naquele momento e estava vindo para abençoar sua casa.

No caso de Mical e Davi a coisa se torna muito triste pois, de fato, era um casal que parecia se amar. Mical amava Davi (1Sam 18.20, 28) e o protegeu quando Saulo o queria matar (1 Sam 19.11-17). Davi enfrentou um exército por Mical (1 Sam 18.26-27). Mesmo após se tornar rei, e tendo outras mulheres, Davi solicita que Mical lhe seja devolvida, mesmo já tendo sido entregue a outro homem (2Sam 3.13-14).


E o texto se encerra com um versículo muito triste em que é relatado que Mical não teve filhos até o dia da sua morte. Muitos interpretam como se ela tivesse ficado estéril. Mas o texto não diz isso. É mais provável que após tal discussão, eles não tenham mais se reconciliado. Mical ficou o resto de sua vida vagando sem marido. E Davi nunca conseguiu construir uma família harmoniosa.