Aprendendo com a história do rei Amazias

Leitura: 2 Crônicas 25

“Fez ele o que era reto perante o Senhor, porém, não com inteireza de coração” (2 Cro 25.2).

Amazias parece ter começado relativamente bem o seu reinado, embora cometendo alguns erros.

Ele contratou soldados israelenses para combater ao lado de Judá, por um grande valor em prata (vers. 6); porém, foi advertido por um profeta que o Senhor não se agradava de Israel, e que não era para os levar para batalha (vers.7). Ele deu ouvidos ao profeta e despediu os mercenários contratados, que muito se iraram e causaram prejuízo por onde passaram (vers. 12).

Amazias então, com seu exército, conseguiu vencer uma grande batalha, porém, inexplicavelmente, prestou adoração aos seus deuses (vers. 14).

Irado, o Senhor envia outro profeta ao rei para o advertir, porém, desta vez, Amazias não dá ouvidos, sendo isso a sua ruína (vers. 16).
Depois, por conta de sua soberba, desafia o rei de Israel para “medir armas”, uma espécie de duelo entre exércitos. O rei israelita ainda dá uma chance para Amazias desistir, entretanto, tal acontecimento vinha do Senhor, e acabaram se enfrentando (vers. 20).

Judá é totalmente derrotado, Amazias humilhado, o muro de Jerusalém é quebrado, e a casa do Senhor saqueada (vers. 21-24).

Ao final de seu reinado, Amazias sofre uma conspiração, e é morto (vers. 27).

O que podemos aprender com essa história?

Amazias, embora tenha servido ao Senhor, não o fez com inteireza de coração. Essa informação joga luz sobre todo o texto.

Quem não serve ao Senhor com inteireza de coração, está sujeito a cometer alguns erros.

O primeiro erro de Amazias foi contratar mercenários israelitas. Ora, Israel há muito estava desviado dos caminhos do Senhor. Se Amazias tivesse consultado ao Senhor, certamente seria desestimulado a contratar tais soldados. Por conta de seu erro, o rei acabou desperdiçando quase quatro toneladas de prata, e ainda sofreu certo prejuízo, pois os soldados descontentes acabaram por cometer algumas arruaças por onde passaram. Assim também, se nós não servirmos ao Senhor com inteireza de coração, estaremos sujeitos a cometer muitos erros.

Outro erro de Amazias foi o de ter cometido torpe idolatria, e isso é inexplicável. Geralmente, eram os povos derrotados que prestavam, naqueles tempos, adoração ao deus do povo vencedor. Amazias, inexplicavelmente, passa a adorar outros deuses. Aqui, vemos que o rei não tem a dimensão exata do Deus que ele servia. Talvez ele achasse que iria fortalecer o seu reino adorando também outros deuses, como se o Deus de Davi precisasse de aliados. Talvez Amazias não tivesse dimensão do verdadeiro monoteísmo bíblico. Enfim, fato é que foi um erro terrível.

Outro erro de quem não serve ao Senhor com inteireza de coração, é que acabará por não ouvir mais a voz de Deus. O Senhor, pela sua misericórdia, ainda enviou outro profeta para advertir Amazias de seu erro e leva-lo ao arrependimento. Mas esse dispensou o profeta, fazendo deste pouco caso.

Contra aqueles que fecham os ouvidos à sua Palavra, o Senhor envia a “operação do erro” (1 Tess 2.11). O Senhor move o coração do rei para onde quiser (Provérbios 21.1), e no caso, a própria soberba de Amazias o levou a desafiar o rei de Israel, sendo derrotado em batalha. Há pessoas que insistem em seu erro; e uma vez não se arrependendo, o Senhor os entrega às suas próprias paixões (Rm 1.24; 26).

E infelizmente, para aqueles que não servem ao Senhor com inteireza de coração, correm o risco de terem um destino muito parecido com o de seus antepassados que também não serviram ao Senhor. O pai de Amazias, Joás, foi morto em uma conspiração após cometer atos abomináveis diante do Senhor (2 Cro 24.25). Amazias, infelizmente, teve o mesmo destino (vers. 27). Alguns chamam isso de maldição hereditária. Não sei. Mas o fato é que Amazias teve o mesmo destino de seu pai. Se tivesse sido fiel ao Senhor, isso não teria acontecido. Se acaso tivemos um histórico familiar complicado, o melhor a fazer é permanecermos fieis ao Senhor, sempre, para que tais coisas não se repitam em nossa vida.

Há muitas histórias tristes nas Escrituras. A de Amazias é mais uma delas. Que o Senhor nos ajude a aprender acerca destas histórias, para não cometermos os mesmos erros.

Que o Senhor nos abençoe!

No amor de Cristo;

Carlos Seino

Aprendendo com a história do rei Roboão

Leitura: 2 Crônicas 12

Israel passou por um período de monarquia unida, com os Reis Saul, Davi e Salomão.

Salomão, no final de seu reinado, passou a adorar outros deuses como resultado de seus inúmeros relacionamentos conjugais (1Reis11.1-8). Por decorrência disso, o reino seria tirado de sua descendência (1Reis11.12), passando a existir o reino do Norte (Israel, ou Efraim) e o reino do Sul (Judá).

Roboão foi o primeiro rei a reinar no Sul. Ele até pensou em tentar recuperar o reino do Norte, porém, foi dissuadido de não tentar (2Cro11.4), pois tal divisão veio do próprio Senhor por conta do pecado de Salomão.

No início de seu reinado, Roboão foi próspero, edificando cidades, exército, e até mesmo a religião, pois sacerdotes e levitas deixaram o reino do Norte e vieram para Jerusalém, tendo sido fiel ao Senhor por três anos (2Cro11.17).

Entretanto, a fidelidade de Roboão durou pouco. Tendo se fortalecido, deixou a lei do Senhor (vers. 2), e por conta disso sofreu derrotas nas mãos dos egípcios (vers. 3). Tais derrotas eram por conta de terem abandonado ao Senhor, conforme advertiu o profeta Semaías (vers. 5). O rei e os príncipes então se humilharam ao Senhor (vers. 6), e foram perdoados (vers. 7). Porém, isso não evitou que fossem feitos servos (vers. 8), e fossem tomados os tesouros da casa do Senhor e do rei (vers. 9). Posteriormente, Roboão voltou a se fortalecer (vers. 13), porém, não há um indicativo em sua história que tenha sido um bom rei. O que podemos aprender com esse relato?

Primeiramente, que algumas pessoas só buscam ao Senhor até atingir certa prosperidade. Foi o que Roboão fez. Ele estava em uma situação delicada. Dez tribos deixaram de ficar sob o seu comando. Jeroboão, o rei de Israel, se tornara um inimigo e tanto. Por conta disso, Roboão foi fiel ao Senhor por três anos, porém, uma vez tendo o reino fortalecido, deixou de buscar o Senhor e abandonou a sua lei. Não é incomum pessoas se tornarem extremamente fieis até conseguirem atingir determinado objetivo. Um emprego, a salvação do casamento, a cura de uma enfermidade, entre outras coisas, porém, uma vez atingido o objetivo, deixam de buscar ao Senhor. Que não cometamos esse erro.

Outra coisa que aprendemos é que o Senhor permite que os inimigos de seu povo obtenham certas vitórias. Isso acontece para disciplinar o seu povo quando esse se torna infiel. Em algumas ocasiões, o próprio Senhor suscita tais inimigos. Certamente vem a prosperidade nos tempos de fidelidade, entretanto, caso seu povo não permaneça fiel, poderá ser duramente disciplinado.

Em terceiro lugar, aprendemos que quanto mais rápido o povo de Deus se arrepender de seu erro, maior a probabilidade de recuperação. O inimigo de Roboão veio às portas. Era poderoso, e já havia tido muitas vitórias. Advertidos pelo profeta, Roboão e os príncipes de Israel se humilharam. E esse foi o motivo de não terem sido completamente destruídos. Assim também nós, quando pecarmos, devemos nos arrepender o mais rapidamente para que as consequências dos nossos pecados não venham destruir as nossas vidas.

Aprendemos também que, embora o Senhor perdoe o povo de seus pecados, algumas vezes ele permite um sofrimento didático. Ele deixou o seu povo servir aos egípcios para que aprendessem a diferença entre servir a Deus e os egípcios. Não é incomum pessoas que viveram muito tempo “no mundo” e depois se convertem, aprendem rapidamente a diferença entre a servidão mundana e aquela decorrente da fidelidade ao Senhor. Entretanto, muitos daqueles que sempre viveram no âmbito da religião parecem não saber tal diferença. O Senhor, didaticamente então permite que tal sofrimento venha para que seus filhos saibam a diferença. O ideal nestes momentos é manter o estado de humilhação diante de Deus.

Outra coisa que aprendemos é que, homens infiéis correm o risco de perder tudo, ou boa parte daquilo que foi amealhado pelas antigas gerações. Nesta história, Judá foram levados os tesouros da Casa do Senhor e da casa do rei. Ou seja, tudo o que fora juntado desde os tempos de Davi e Salomão. Com isso aprendemos que, cada geração tem que manter um nível de fidelidade, senão pode perder tudo aquilo que outras gerações juntaram. Quantas pessoas, por sua infidelidade, desprezam toda uma geração anterior que viveu em fidelidade evangélica! Correm o risco de perderem toda sua herança!

Que possamos aprender com o erro dos reis de Judá e de Israel para não cometer os mesmos erros!

Que esse possa ser uma aprendizado para a vida!

Carlos Seino

Cuidado com a intenção do teu coração



Uma ação só é verdadeiramente virtuosa diante do Senhor se for realizada com boa intenção. Muitas vezes podemos estar realizando um ato objetivamente bom, entretanto, com uma intenção ruim.

Por exemplo, o Senhor certa vez disse que algumas pessoas oram, jejuam e dão esmola para se aparecer (Mateus 6). Suas ações até parecem boas para quem as está assistindo, porém, no fundo, Deus sabe a verdadeira intenção. O apóstolo Paulo ensinou que o Senhor trará à luz as coisas ocultas das trevas, e também manifestará os desígnios dos corações (1 Co 4.5). O escritor aos Hebreus escreveu o seguinte: "E não á criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos que prestar contas" (Hb 5.13).

Portanto, precisamos aprender a arte de purificar as nossas intenções em tudo o quanto fizermos. É sempre bom nos perguntar: estamos fazendo isso para que? Para aparecer? Para enganar alguém? Ou para edificar, para levar glórias a Deus?

Que o Senhor nos ensine a cada dia essa arte de purificar as nossas intenções para que possamos estar preparados para nos apresentar diante d'Ele!

Que o Senhor te abençoe!

O que fazem aos pequeninos, fazem a mim (Mateus 25.34-40)


Quem é minha mãe, irmão e irmã? (Mc 3.31-35)


Blasfêmia contra o Espírito


O chamado dos doze (Mc 3.13-19)

“Depois subiu ao monte e chamou os doze que ele mesmo quis” (Mc 1.13).

Jesus, pela sua própria vontade, chamou doze discípulos para ocuparem papel preponderante em seu ministério. O número de doze aponta certamente para as doze tribos de Israel, significando provavelmente que se está a criar agora um novo momento na história do povo de Deus, que não está mais restrita a um povo étnico, nem mesmo a um lugar geográfico específico. Que lições podemos depreender deste relato do evangelho de Marcos?

Em primeiro lugar, vemos que Jesus chamou “os que ele mesmo quis” (vers. 13). Isso demonstra a soberania do Senhor, em determinar dentre os seus quais realizariam determinadas funções. Esse chamado continua ocorrendo na vida de homens e mulheres, pela atuação da igreja, e pelo poder do Espírito.

O Senhor os chamou para “estarem com ele” (vers. 14), ou seja, em um processo de comunhão contínua, ele os ensinaria a fim de que um dia continuassem a obra que ele estava iniciando. Essa comunhão com o Senhor se dá hoje em comunidade, pois onde há dois ou mais reunidos em seu nome, ali ele está.

Jesus também os “enviou para pregar” e “exercer autoridade sobre os demônios, (vers. 14b-15), sendo que em outra passagem ele fala em “curar doentes” e “ressuscitar os mortos”. Ou seja, Jesus chama para si, a fim de treinar pessoas e lhes dá uma missão. Isso é um desafio para os líderes de hoje que devem chamar pessoas, treiná-las e enviá-las em missão.

O Senhor também coloca seus discípulos em comunidade, de gente diferente umas das outras. Alguns eram pescadores, como Pedro e André. Outros tinham um temperamento meio explosivo, como João e Tiago, os “filhos do trovão”. Pedro era cheio de altos e baixos, ora andando sobre as águas, ora afundando; ora confessando que Jesus é o Filho de Deus e sendo chamado de Rocha, ora, sendo chamado de Satanás por ter tentando desviar Jesus de seu caminho; ora dizendo que não vai trair o Mestre de modo algum, ora fugindo e traindo. Também tinha gente meio sumida, que quase não abria a boca, como Tiago, filho de Alfeu. Tinha um cobrador de impostos, como Mateus, um cooperador do império. Havia um zelote, revolucionário. Havia até um falho de caráter, ladrão e traidor. Enfim, é no meio desse povo diferente que somos chamados a viver e conviver.

Se um dia você se sentiu chamado pelo Senhor, pergunte-se o que está fazendo do seu ministério. Tem convivido com o povo do Senhor? Tem procurado estar com ele, pela comunhão com os irmãos, sendo instruído na Palavra? Ou não está disposto a lidar com quem é diferente de você, que pensa diferente de ti? Tem tido tempo devocional, de oração de portas fechadas? Tem procurado desenvolver o dom que um dia recebeu, buscando cumprir a sua missão? E você, líder? Tem chamado pessoas, andado com elas, treinando-as e enviando-as? Ou tem folgadamente esperando que as coisas simplesmente aconteçam, como que por um milagre? É daquele que aparece no meio do povo somente no domingo para pregar? Não ouve seus liderados? É orgulhoso? Não caminha com eles?

Enfim, que o exemplo de Jesus possa nos inspirar em nossa missão!